Caminharemos do campo da Sensibilidade, tema do último ciclo, para o da imaginação. Essa ponte é lançada por P. Valéry nos seus Cahiers ao considerar as percepções e sensações advindas da realidade objetiva. Na medida em que algumas delas afetam também o nosso Espírito, elas deixam ser apenas “sensoriais” e passam a ser “sensíveis” e a abrirem a porta da Sensibilidade tanto para o mundo exterior quanto para a intimidade do nosso mundo interior. Da constelação formada por tais mundos emergem tanto o Sentido que as coisas tomam para nós quanto os três territórios onde o Espírito passa a se mover: o Pensamento, a Memória e o Imaginário. Enquanto território, o Imaginário tem a sua forma e geometria próprias, feitas de ecos, ressonâncias, expectativas, carências e vazios dos quais emergem novas sensações, percepções e imagens inesperadas. Ele é uma fábrica imaginante que trazemos conosco e cujas dimensões são compostas pela Memória, pela Falta e pelo Desejo. Não se pode escapar da realidade, assim como não podemos escapar da linguagem, e tropeçamos nela toda hora. Mas é justamente tal tropeço o que a fissura, de modo a fecunda-la e dar a ela um Sentido. É o Imaginário que faz com que esta realidade objetiva, compacta e multifacetada seja provida também do Sentido e da geometria íntima de uma casa onde o nosso Espírito adentra e passa a habitar.