Em que sentido falar de mutação? A proposta é pensar o sentido de mutação na era da mutação dos sentidos: tanto dos sentidos sensíveis e inteligíveis como dos sentidos entendidos como direções. Mutação não fala a língua das crises, das mudanças e transformações e nem das formações e metamorfoses, língua que obedece a uma gramática da forma e ao imaginário da natureza que lhe corresponde. Mutação se confunde ao contrário com a agramaticidade do informe e com a língua do monstruoso. Recebo o convite desse novo ciclo como um convite para pensar o sentido de mutação enfrentando a página em branco do informe e das suas constelações imaginárias, um convite para pensar o emaranhado conceitual de imaginação, imaginário e natureza, desde o ponto cego da mutação: a página em branco do informe. Seguirei algumas pistas traçadas pelo pensamento de Reiner Schürmann, em conversa com Henri Michaux, Jean-Luc Godard, Artavazd Peleshyan e nossa Clarice Lispector.